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FALAR DOS OUTROS

Nesta página, A Senhora Editora faz uma proposta mais interativa à amada confraria dos que gostam de ler e escrever. Se você está delirando de êxtase com uma obra-prima como Avalovara, por exemplo, ou morrendo de ódio de ter gasto o seu suado dinheirinho naquela porcaria de livro, digite suas impressões e mande-as para nós. Quem sabe a gente não acaba criando um espaço mais vivo de debates e troca de informações? Então, já sabe: as colaborações são bem vindas, mas temos um aviso aos navegantes: dado que não temos (ainda) espaço ilimitado, vamos ter de escolher, e os critérios de seleção são puramente subjetivos: se gostarmos, publicamos, se não gostarmos, não publicamos. Certo?
 
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Avalovara, de Osman Lins, publicado pela Companhia das Letras, é um mosaico criado pelo estilhaçar de um espelho. Fulgurante, mas difícil, a dificuldade irritando, espicaçando. Um homem que amava as mulheres e que perguntava, "O que será de nós?" "De nós quem?" "De nós que não queremos oprimir os demais." A erudição do cara um absurdo, tudo muito exato, a exatidão mesma um absurdo e, no entanto, parte integrante da beleza desmesurada de Avalovara, "o pássaro do meu contentamento": uma apoteose sexual, amorosa e espiritual – nunca vi escrito nada que nem de longe se pareça - o eclipse que mostra "o verdadeiro céu das estrelas diurnas – ou um dos céus existentes, em geral inacessíveis." Não é de admirar que tão poucos conheçam Avalovara: o acesso a ele é carma de merecimento.  www.companhiadasletras.com.br

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Sempre que topo com aquele muro de olhares céticos diante das possibilidades remotas de realizar o grande sonho da minha vida, gosto de pensar no Cristóvão Colombo e na Sônia Hirsch. O Cristóvão, como você deve estar lembrado, era aquele biruta que, em sua época, dizia que a Terra era redonda e que, se navegássemos para o Ocidente, acabaríamos no Oriente – sendo que todo mundo sabia que o mundo acabava num abismo mais ali na frente. Conseguiu convencer outra biruta, a rainha Isabel, de suas teorias, e ela pagou pra ver. Bem, o resto é história. A Sônia também está fazendo história, só que no ramo editorial. É pessoa que deu certo sem fazer nenhuma concessão, muito ao contrário: apostou todas as fichas nas suas idéias sobre comida e medicina, e acertou na mosca – virou grife, a CorreCotia hoje é uma grife. Começou com o delicioso PF – isso mesmo, o velho e bom Prato Feito – todas as receitas são divinas, mesmo sendo macrô, ou talvez exatamente por causa disso. O texto, então, nem se fala – dá vontade de comer as páginas também, de tão leve e saboroso – ela tem estilo, pode crer. Olha só os títulos: Manual do Herói (herói é quem está querendo ter saúde hoje em dia!): tudo sobre a forma de usar a comida como remédio de acordo com a Medicina Chinesa Tradicional. Lindo, todo ilustrado com desenhos e pinturas chinesas. Aliás, o casamento entre tema e projeto gráfico de todos os livros da Sônia é mais que perfeito – um encanto para os olhos e para a inteligência. Já Mamãe, eu quero, receitinhas caseiras para você cuidar dos filhotes, é ilustrado só com desenhos de criança e cores muito alegres – tetéia. O Mínimo para Você Se Sentir o Máximo – aqui você fica sabendo tudo sobre vitaminas, sais minerais, o escambau: quanto a gente precisa por dia, em que alimentos encontrar – bonito projeto em preto e branco, moderníssimo. Também tem Sem Açúcar, com Afeto – isso mesmo, doces sem o letal pó branco e montes de informações sobre seus malefícios, tão cuidadosamente maquiados pelo setor. E muitos outros, a moça não pára. Mas o luxo supremo é que as informações que ela dá em seus livros podem ser reproduzidas livremente, pois são patrimônio da humanidade. Sorte nossa a Sônia ter-se dado a esse belo trabalho.  www.livcultura.com.br  -  www.correcotia.com.br

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